Pré-eclâmpsia e hipertensão na gestação: o que o Revalida cobra
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10 Minutos
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Educacional
Os distúrbios hipertensivos da gestação são o segundo tema mais cobrado em toda a prova do Revalida. A banca quer ver se você sabe a diferença entre hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia, reconhece os sinais de gravidade, prescreve sulfato de magnésio com segurança e decide o momento do parto. Este guia segue o Manual de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde, que é a referência do SUS e da prova.
Os distúrbios hipertensivos da gestação são o segundo tema mais cobrado em toda a prova do Revalida. A banca quer ver se você sabe a diferença entre hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia, reconhece os sinais de gravidade, prescreve sulfato de magnésio com segurança e decide o momento do parto. Este guia segue o Manual de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde, que é a referência do SUS e da prova.
Por que este tema pesa tanto no Revalida
Pré-eclâmpsia é a doença que mais mata gestantes no Brasil e é tratada na atenção básica, na maternidade e na urgência. O Inep cobra o tema nas duas etapas: na teórica, como caso clínico com decisão de conduta; na prática, como estação de emergência obstétrica, com sulfato de magnésio e anti-hipertensivo para prescrever. Veja os temas mais cobrados de ginecologia e obstetrícia para entender o peso da área.
E tem um detalhe que pega quem estudou fora: a referência da prova é o protocolo brasileiro. Nomes de esquema, doses e pontos de corte são os do Ministério da Saúde, e é por eles que este guia segue.

Resumo visual do tema. Fonte: Manual de Gestação de Alto Risco, Ministério da Saúde, 2022.
O ponto de partida: o que é hipertensão na gravidez
Pressão arterial sistólica de 140 mmHg ou mais, ou diastólica de 90 mmHg ou mais. A diastólica é o quinto ruído de Korotkoff, o desaparecimento da bulha. A medida é feita de preferência sentada, em mais de uma aferição com intervalo de pelo menos quatro a seis horas.
As quatro categorias que a prova mistura de propósito
Categoria | Definição | A pegadinha |
|---|---|---|
Hipertensão arterial crônica | Hipertensão relatada antes da gravidez ou identificada antes da 20ª semana | Não é pré-eclâmpsia, mesmo que a pressão esteja alta na gestação |
Hipertensão gestacional | Hipertensão na segunda metade da gestação, em gestante antes normotensa, sem proteinúria e sem sinais de pré-eclâmpsia | É diagnóstico temporário: evolui para pré-eclâmpsia em 10% a 50% dos casos, e deve desaparecer até 12 semanas após o parto |
Pré-eclâmpsia | Hipertensão a partir da 20ª semana, em gestante antes normotensa, com proteinúria significativa, ou, sem proteinúria, com disfunção de órgão-alvo ou comprometimento placentário | Proteinúria não é mais obrigatória |
Pré-eclâmpsia sobreposta | Gestante com hipertensão crônica que desenvolve ou piora proteinúria após a 20ª semana, precisa associar anti-hipertensivos ou aumentar dose, ou tem disfunção de órgão-alvo | O diagnóstico é de piora, não de aparecimento |
Se a hipertensão gestacional persistir 12 semanas depois do parto, ela é reclassificada como hipertensão crônica que a gravidez tinha mascarado.
A mudança que ainda derruba candidato: proteinúria não é obrigatória
A definição clássica exigia hipertensão mais proteinúria. O manual brasileiro, em linha com a classificação internacional, considera pré-eclâmpsia também a hipertensão sem proteinúria quando há:
Trombocitopenia
Disfunção hepática
Insuficiência renal
Edema pulmonar
Iminência de eclâmpsia ou eclâmpsia
Sinais de comprometimento placentário: restrição de crescimento fetal ou alteração ao Doppler
Quando há proteinúria, ela é significativa a partir de 300 mg em urina de 24 horas, ou relação proteinúria/creatinúria de pelo menos 0,3 em amostra isolada. Na falta dos dois, a fita com pelo menos uma cruz, que corresponde a 30 mg/dL.
Sem sinais de gravidade e com sinais de gravidade
O manual abandonou "leve" e "grave". A divisão que vale é sem sinais de gravidade e com sinais de gravidade. HELLP e eclâmpsia estão no grupo mais grave.
Os sinais de gravidade, transcritos do manual:
Pressão sistólica de 160 mmHg ou mais, ou diastólica de 110 mmHg ou mais, confirmada em intervalo de 15 minutos. Com sintomas, é emergência hipertensiva
Síndrome HELLP
Iminência de eclâmpsia: cefaleia, distúrbios visuais como fotofobia, fosfenas e escotomas, hiper-reflexia, e sintomas hepáticos como náuseas, vômitos e dor em epigástrio ou hipocôndrio direito
Eclâmpsia
Edema agudo de pulmão
Dor torácica
Insuficiência renal: creatinina de 1,2 mg/dL ou mais em elevação progressiva, e oligúria abaixo de 500 mL em 24 horas
Pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade: internar para avaliar, depois ambulatório
internada
a resolução da gestação é com 37 semanas
Com sinais de gravidade: internar e decidir o parto pela idade gestacional
Toda pré-eclâmpsia com sinais de gravidade é internada. A conduta conservadora só se admite com clínica estável, pressão controlada com medicação, exames adequados e vitalidade fetal preservada.
Situação | Conduta do manual |
|---|---|
HELLP, eclâmpsia, edema pulmonar, insuficiência renal, DPP, hipertensão refratária a três drogas, alteração da vitalidade fetal, piora laboratorial progressiva | Parto, independentemente da idade gestacional |
Entre 24 a 26 e 34 semanas, sem essas condições | Tentar chegar a pelo menos 34 semanas, com corticoterapia para maturação pulmonar e vigilância intensa |
Entre 34 e 37 semanas, com melhora clínica e laboratorial | Pode-se prolongar até perto de 37 semanas, sempre em hospital capaz de resolver o parto na hora |
A via de parto preferida é a vaginal, com indução se a vitalidade fetal e a condição materna permitirem. Cesariana não é regra.
Exames mínimos: hemograma com plaquetas, DHL, bilirrubinas, creatinina e TGO. Repetir proteinúria não é necessário.
Sulfato de magnésio: quando e como
pressão de 160 por 110 ou mais, mesmo sem sintoma, já indica profilaxia com sulfato.
Usar sulfato não significa necessariamente fazer o parto.
Esquemas do manual, com a ampola de sulfato de magnésio a 50% de 10 mL, que contém 5 g:
Esquema | Ataque | Manutenção |
|---|---|---|
Endovenoso | 4 g IV em 5 a 10 minutos: 8 mL de sulfato + 12 mL de água destilada | 1 a 2 g por hora em bomba: 10 mL de sulfato + 240 mL de soro fisiológico, a 50 mL/h para 1 g/h ou 100 mL/h para 2 g/h |
Intramuscular, para locais sem bomba de infusão | 4 g IV + 10 g IM, 5 g em cada glúteo, com agulha de 10 cm | 5 g IM a cada 4 horas |
Gestante com eclâmpsia que vai ser transferida recebe a dose de ataque de 4 g IV mais 10 g IM, que dá cobertura de quatro horas.
Contraindicação absoluta: miastenia grave.
A vigilância que a estação prática cobra
Avaliar a cada 4 horas. Para manter a infusão, os três parâmetros:
Diurese de pelo menos 25 mL por hora
Reflexos tendinosos presentes
Frequência respiratória de pelo menos 12 por minuto
Depressão respiratória, diurese insuficiente ou ausência de reflexos: suspender. Se ficar 2 horas suspenso, nova dose de ataque de 2 g. Nova convulsão durante o tratamento: mais 2 g IV. Creatinina acima de 1,3 mg/dL: metade da dose e dosar magnésio, com alvo terapêutico de 4 a 7 mEq/L.
Intoxicação:
Crise hipertensiva: o que dar e quanto
Evita-se queda abrupta da pressão, pelo risco de AVC. Os agentes do manual, do protocolo da Rede Brasileira de Estudos sobre Hipertensão e Gravidez:
Agente | Dose |
|---|---|
Hidralazina IV | Ampola de 20 mg/mL: diluir 1 mL em 19 mL de água destilada, obtendo 1 mg/mL. Inicial 5 mg IV; repetir 5 mg a cada 20 minutos; máximo 30 mg |
Nifedipino VO | Inicial 10 mg; repetir 10 mg a cada 20 a 30 minutos; máximo 30 mg |
Nitroprussiato | Reservado a casos refratários, em infusão contínua |
Após controlar a convulsão na eclâmpsia, se a pressão estiver em 160 por 110 ou mais: nifedipina 10 mg VO, ou hidralazina 5 a 10 mg IV se a paciente não estiver consciente. Alvo entre 140/90 e 150/100 mmHg.
Para manutenção oral: metildopa 750 a 2.000 mg por dia, nifedipino retard 20 a 120 mg por dia, anlodipino 5 a 20 mg por dia, hidralazina oral 50 a 150 mg por dia, metoprolol 100 a 200 mg por dia, entre outros do quadro do manual.
Eclâmpsia: os dez passos do manual
Aspirar secreções e inserir protetor bucal
Medir saturação e dar oxigênio a 8 a 10 L/min
Acesso venoso com glicose a 5%
Colher sangue e urina
Decúbito lateral
Sulfato de magnésio
Nifedipina VO ou hidralazina IV se PA de 160/110 ou mais
Sonda vesical de demora
Aguardar a recuperação do sensório
Programar a interrupção da gestação
depois
Síndrome HELLP
Diante de plaquetopenia em paciente com pré-eclâmpsia, pense em HELLP.
Critério | Parâmetro |
|---|---|
Hemólise | Esquistócitos no esfregaço; bilirrubina acima de 1,2 mg/dL; DHL acima de 600 U/L |
Enzimas hepáticas | TGO ou TGP acima de 70 UI |
Plaquetopenia | Abaixo de 100.000/mm³ |
Plaquetas abaixo de 50.000 se associam a CIVD e a complicações hemorrágicas. É emergência obstétrica: a interrupção está indicada independentemente da idade gestacional. Acima de 34 semanas, a conduta é sempre o parto. Abaixo, corticoide entre 24 e 34 semanas para o feto, e sulfato de magnésio entre 24 e 32 semanas, com a diurese mantida acima de 30 mL/h. O manual não recomenda corticoide para elevar plaquetas.
Diagnósticos diferenciais que caem: hepatite aguda, colecistite, pancreatite, lúpus, fígado gorduroso agudo da gestação, púrpura trombocitopênica, síndrome hemolítico-urêmica.
Prevenção
ácido acetilsalicílico 100 mg por dia, de 12 a 36 semanas, mais suplementação de cálcio.
Como cai na prova
O que a banca pergunta | A resposta que ela espera |
|---|---|
Hipertensão depois de 20 semanas, sem proteinúria, com plaquetas baixas | Pré-eclâmpsia, não hipertensão gestacional |
PA de 165/112 sem sintomas | Já indica sulfato de magnésio |
Reflexos abolidos durante o sulfato | Suspender, e gluconato de cálcio se houver depressão respiratória |
HELLP com 30 semanas | Parto, independentemente da idade gestacional |
Pré-eclâmpsia sem gravidade, controlada, com 36 semanas | Aguardar 37 semanas |
Eclâmpsia: cesariana imediata? | Não. Estabilizar primeiro, parto depois, via vaginal se possível |
Hipertensão que persiste 12 semanas após o parto | Reclassificar como hipertensão crônica |
Questão no estilo do Inep
Gestante de 32 anos, 35 semanas, primigesta, chega à maternidade com cefaleia intensa, escotomas e dor em hipocôndrio direito. PA de 170 por 115 mmHg, confirmada após 15 minutos. Plaquetas de 85.000/mm³, TGO de 110 UI, DHL de 800 U/L, creatinina de 0,8 mg/dL. Qual a conduta inicial?
A) Metildopa oral e acompanhamento ambulatorial semanal até 37 semanas. B) Sulfato de magnésio, hidralazina ou nifedipina para a crise hipertensiva, e programação do parto após estabilização. C) Cesariana imediata, antes de qualquer medicação, pela gravidade do quadro. D) Corticoide para elevar as plaquetas e conduta expectante até 37 semanas.
Resposta: B.
Há iminência de eclâmpsia, crise hipertensiva e síndrome HELLP, com os três critérios laboratoriais presentes. É pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, o que indica internação, sulfato de magnésio para prevenir a convulsão, controle da pressão com hidralazina IV ou nifedipina oral, e interrupção da gestação, que na HELLP está indicada independentemente da idade gestacional. A alternativa A trata um quadro grave como leve. A C inverte a ordem: estabiliza-se antes de qualquer parto, e a via vaginal é preferível quando possível. A D contraria o manual, que não recomenda corticoide para elevar plaquetas e que indica o parto, não a espera.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia?
Pré-eclâmpsia precisa de proteinúria?
Quando usar sulfato de magnésio na pré-eclâmpsia?
Qual a dose de sulfato de magnésio?
Qual o antídoto do sulfato de magnésio?
Quando interromper a gestação na pré-eclâmpsia?
Quais os critérios da síndrome HELLP?
Como prevenir pré-eclâmpsia em quem já teve?
Confira sempre o Manual de Gestação de Alto Risco e os protocolos vigentes antes de decisões clínicas. Quer treinar a estação de emergência obstétrica com quem conhece o padrão da banca? Conheça a preparação do Mundo Revalida.
Por que este tema pesa tanto no Revalida
Pré-eclâmpsia é a doença que mais mata gestantes no Brasil e é tratada na atenção básica, na maternidade e na urgência. O Inep cobra o tema nas duas etapas: na teórica, como caso clínico com decisão de conduta; na prática, como estação de emergência obstétrica, com sulfato de magnésio e anti-hipertensivo para prescrever. Veja os temas mais cobrados de ginecologia e obstetrícia para entender o peso da área.
E tem um detalhe que pega quem estudou fora: a referência da prova é o protocolo brasileiro. Nomes de esquema, doses e pontos de corte são os do Ministério da Saúde, e é por eles que este guia segue.

Resumo visual do tema. Fonte: Manual de Gestação de Alto Risco, Ministério da Saúde, 2022.
O ponto de partida: o que é hipertensão na gravidez
Pressão arterial sistólica de 140 mmHg ou mais, ou diastólica de 90 mmHg ou mais. A diastólica é o quinto ruído de Korotkoff, o desaparecimento da bulha. A medida é feita de preferência sentada, em mais de uma aferição com intervalo de pelo menos quatro a seis horas.
As quatro categorias que a prova mistura de propósito
Categoria | Definição | A pegadinha |
|---|---|---|
Hipertensão arterial crônica | Hipertensão relatada antes da gravidez ou identificada antes da 20ª semana | Não é pré-eclâmpsia, mesmo que a pressão esteja alta na gestação |
Hipertensão gestacional | Hipertensão na segunda metade da gestação, em gestante antes normotensa, sem proteinúria e sem sinais de pré-eclâmpsia | É diagnóstico temporário: evolui para pré-eclâmpsia em 10% a 50% dos casos, e deve desaparecer até 12 semanas após o parto |
Pré-eclâmpsia | Hipertensão a partir da 20ª semana, em gestante antes normotensa, com proteinúria significativa, ou, sem proteinúria, com disfunção de órgão-alvo ou comprometimento placentário | Proteinúria não é mais obrigatória |
Pré-eclâmpsia sobreposta | Gestante com hipertensão crônica que desenvolve ou piora proteinúria após a 20ª semana, precisa associar anti-hipertensivos ou aumentar dose, ou tem disfunção de órgão-alvo | O diagnóstico é de piora, não de aparecimento |
Se a hipertensão gestacional persistir 12 semanas depois do parto, ela é reclassificada como hipertensão crônica que a gravidez tinha mascarado.
A mudança que ainda derruba candidato: proteinúria não é obrigatória
A definição clássica exigia hipertensão mais proteinúria. O manual brasileiro, em linha com a classificação internacional, considera pré-eclâmpsia também a hipertensão sem proteinúria quando há:
Trombocitopenia
Disfunção hepática
Insuficiência renal
Edema pulmonar
Iminência de eclâmpsia ou eclâmpsia
Sinais de comprometimento placentário: restrição de crescimento fetal ou alteração ao Doppler
Quando há proteinúria, ela é significativa a partir de 300 mg em urina de 24 horas, ou relação proteinúria/creatinúria de pelo menos 0,3 em amostra isolada. Na falta dos dois, a fita com pelo menos uma cruz, que corresponde a 30 mg/dL.
Sem sinais de gravidade e com sinais de gravidade
O manual abandonou "leve" e "grave". A divisão que vale é sem sinais de gravidade e com sinais de gravidade. HELLP e eclâmpsia estão no grupo mais grave.
Os sinais de gravidade, transcritos do manual:
Pressão sistólica de 160 mmHg ou mais, ou diastólica de 110 mmHg ou mais, confirmada em intervalo de 15 minutos. Com sintomas, é emergência hipertensiva
Síndrome HELLP
Iminência de eclâmpsia: cefaleia, distúrbios visuais como fotofobia, fosfenas e escotomas, hiper-reflexia, e sintomas hepáticos como náuseas, vômitos e dor em epigástrio ou hipocôndrio direito
Eclâmpsia
Edema agudo de pulmão
Dor torácica
Insuficiência renal: creatinina de 1,2 mg/dL ou mais em elevação progressiva, e oligúria abaixo de 500 mL em 24 horas
Pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade: internar para avaliar, depois ambulatório
internada
a resolução da gestação é com 37 semanas
Com sinais de gravidade: internar e decidir o parto pela idade gestacional
Toda pré-eclâmpsia com sinais de gravidade é internada. A conduta conservadora só se admite com clínica estável, pressão controlada com medicação, exames adequados e vitalidade fetal preservada.
Situação | Conduta do manual |
|---|---|
HELLP, eclâmpsia, edema pulmonar, insuficiência renal, DPP, hipertensão refratária a três drogas, alteração da vitalidade fetal, piora laboratorial progressiva | Parto, independentemente da idade gestacional |
Entre 24 a 26 e 34 semanas, sem essas condições | Tentar chegar a pelo menos 34 semanas, com corticoterapia para maturação pulmonar e vigilância intensa |
Entre 34 e 37 semanas, com melhora clínica e laboratorial | Pode-se prolongar até perto de 37 semanas, sempre em hospital capaz de resolver o parto na hora |
A via de parto preferida é a vaginal, com indução se a vitalidade fetal e a condição materna permitirem. Cesariana não é regra.
Exames mínimos: hemograma com plaquetas, DHL, bilirrubinas, creatinina e TGO. Repetir proteinúria não é necessário.
Sulfato de magnésio: quando e como
pressão de 160 por 110 ou mais, mesmo sem sintoma, já indica profilaxia com sulfato.
Usar sulfato não significa necessariamente fazer o parto.
Esquemas do manual, com a ampola de sulfato de magnésio a 50% de 10 mL, que contém 5 g:
Esquema | Ataque | Manutenção |
|---|---|---|
Endovenoso | 4 g IV em 5 a 10 minutos: 8 mL de sulfato + 12 mL de água destilada | 1 a 2 g por hora em bomba: 10 mL de sulfato + 240 mL de soro fisiológico, a 50 mL/h para 1 g/h ou 100 mL/h para 2 g/h |
Intramuscular, para locais sem bomba de infusão | 4 g IV + 10 g IM, 5 g em cada glúteo, com agulha de 10 cm | 5 g IM a cada 4 horas |
Gestante com eclâmpsia que vai ser transferida recebe a dose de ataque de 4 g IV mais 10 g IM, que dá cobertura de quatro horas.
Contraindicação absoluta: miastenia grave.
A vigilância que a estação prática cobra
Avaliar a cada 4 horas. Para manter a infusão, os três parâmetros:
Diurese de pelo menos 25 mL por hora
Reflexos tendinosos presentes
Frequência respiratória de pelo menos 12 por minuto
Depressão respiratória, diurese insuficiente ou ausência de reflexos: suspender. Se ficar 2 horas suspenso, nova dose de ataque de 2 g. Nova convulsão durante o tratamento: mais 2 g IV. Creatinina acima de 1,3 mg/dL: metade da dose e dosar magnésio, com alvo terapêutico de 4 a 7 mEq/L.
Intoxicação:
Crise hipertensiva: o que dar e quanto
Evita-se queda abrupta da pressão, pelo risco de AVC. Os agentes do manual, do protocolo da Rede Brasileira de Estudos sobre Hipertensão e Gravidez:
Agente | Dose |
|---|---|
Hidralazina IV | Ampola de 20 mg/mL: diluir 1 mL em 19 mL de água destilada, obtendo 1 mg/mL. Inicial 5 mg IV; repetir 5 mg a cada 20 minutos; máximo 30 mg |
Nifedipino VO | Inicial 10 mg; repetir 10 mg a cada 20 a 30 minutos; máximo 30 mg |
Nitroprussiato | Reservado a casos refratários, em infusão contínua |
Após controlar a convulsão na eclâmpsia, se a pressão estiver em 160 por 110 ou mais: nifedipina 10 mg VO, ou hidralazina 5 a 10 mg IV se a paciente não estiver consciente. Alvo entre 140/90 e 150/100 mmHg.
Para manutenção oral: metildopa 750 a 2.000 mg por dia, nifedipino retard 20 a 120 mg por dia, anlodipino 5 a 20 mg por dia, hidralazina oral 50 a 150 mg por dia, metoprolol 100 a 200 mg por dia, entre outros do quadro do manual.
Eclâmpsia: os dez passos do manual
Aspirar secreções e inserir protetor bucal
Medir saturação e dar oxigênio a 8 a 10 L/min
Acesso venoso com glicose a 5%
Colher sangue e urina
Decúbito lateral
Sulfato de magnésio
Nifedipina VO ou hidralazina IV se PA de 160/110 ou mais
Sonda vesical de demora
Aguardar a recuperação do sensório
Programar a interrupção da gestação
depois
Síndrome HELLP
Diante de plaquetopenia em paciente com pré-eclâmpsia, pense em HELLP.
Critério | Parâmetro |
|---|---|
Hemólise | Esquistócitos no esfregaço; bilirrubina acima de 1,2 mg/dL; DHL acima de 600 U/L |
Enzimas hepáticas | TGO ou TGP acima de 70 UI |
Plaquetopenia | Abaixo de 100.000/mm³ |
Plaquetas abaixo de 50.000 se associam a CIVD e a complicações hemorrágicas. É emergência obstétrica: a interrupção está indicada independentemente da idade gestacional. Acima de 34 semanas, a conduta é sempre o parto. Abaixo, corticoide entre 24 e 34 semanas para o feto, e sulfato de magnésio entre 24 e 32 semanas, com a diurese mantida acima de 30 mL/h. O manual não recomenda corticoide para elevar plaquetas.
Diagnósticos diferenciais que caem: hepatite aguda, colecistite, pancreatite, lúpus, fígado gorduroso agudo da gestação, púrpura trombocitopênica, síndrome hemolítico-urêmica.
Prevenção
ácido acetilsalicílico 100 mg por dia, de 12 a 36 semanas, mais suplementação de cálcio.
Como cai na prova
O que a banca pergunta | A resposta que ela espera |
|---|---|
Hipertensão depois de 20 semanas, sem proteinúria, com plaquetas baixas | Pré-eclâmpsia, não hipertensão gestacional |
PA de 165/112 sem sintomas | Já indica sulfato de magnésio |
Reflexos abolidos durante o sulfato | Suspender, e gluconato de cálcio se houver depressão respiratória |
HELLP com 30 semanas | Parto, independentemente da idade gestacional |
Pré-eclâmpsia sem gravidade, controlada, com 36 semanas | Aguardar 37 semanas |
Eclâmpsia: cesariana imediata? | Não. Estabilizar primeiro, parto depois, via vaginal se possível |
Hipertensão que persiste 12 semanas após o parto | Reclassificar como hipertensão crônica |
Questão no estilo do Inep
Gestante de 32 anos, 35 semanas, primigesta, chega à maternidade com cefaleia intensa, escotomas e dor em hipocôndrio direito. PA de 170 por 115 mmHg, confirmada após 15 minutos. Plaquetas de 85.000/mm³, TGO de 110 UI, DHL de 800 U/L, creatinina de 0,8 mg/dL. Qual a conduta inicial?
A) Metildopa oral e acompanhamento ambulatorial semanal até 37 semanas. B) Sulfato de magnésio, hidralazina ou nifedipina para a crise hipertensiva, e programação do parto após estabilização. C) Cesariana imediata, antes de qualquer medicação, pela gravidade do quadro. D) Corticoide para elevar as plaquetas e conduta expectante até 37 semanas.
Resposta: B.
Há iminência de eclâmpsia, crise hipertensiva e síndrome HELLP, com os três critérios laboratoriais presentes. É pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, o que indica internação, sulfato de magnésio para prevenir a convulsão, controle da pressão com hidralazina IV ou nifedipina oral, e interrupção da gestação, que na HELLP está indicada independentemente da idade gestacional. A alternativa A trata um quadro grave como leve. A C inverte a ordem: estabiliza-se antes de qualquer parto, e a via vaginal é preferível quando possível. A D contraria o manual, que não recomenda corticoide para elevar plaquetas e que indica o parto, não a espera.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia?
Pré-eclâmpsia precisa de proteinúria?
Quando usar sulfato de magnésio na pré-eclâmpsia?
Qual a dose de sulfato de magnésio?
Qual o antídoto do sulfato de magnésio?
Quando interromper a gestação na pré-eclâmpsia?
Quais os critérios da síndrome HELLP?
Como prevenir pré-eclâmpsia em quem já teve?
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